A educação nas páginas da folha de São Paulo

um jornal a serviço do capital (1964-1972)

Autores

  • Marco Antonio de Oliveira Gomes Universidade Estadual de Maringá
  • Crislaine Aparecida Pita Universidade Estadual de Maringa
  • Adriana Aparecida Rodrigues Centro Universitário UniFatecie (UNIFATECIE)

DOI:

https://doi.org/10.25757/invep.v16i1.493

Palavras-chave:

Folha de São Paulo, Ordem burguesa, Ditadura civil-militar, Educação

Resumo

Este estudo analisa a contribuição da Folha de São Paulo para a construção de consensos em favor do golpe de 1964 e da consolidação da ditadura civil-militar, no recorte temporal de 1964 a 1972. Ao apresentar-se como defensora dos “interesses nacionais”, o jornal o jornal atuou na deslegitimação do governo João Goulart, associando-o ao comunismo, à desordem e ao colapso institucional, ao mesmo tempo em que exaltou as Forças Armadas como garantidoras da “legalidade” e da “paz social”, ou seja, salvadora do Brasil. No campo educacional, identifica-se a defesa recorrente de uma concepção de educação subordinada ao desenvolvimento econômico, à eficiência e à produtividade, em consonância com interesses empresariais e com a racionalidade do capital. A pesquisa fundamenta-se no materialismo histórico-dialético e dialoga com autores como Hobsbawm (1998), Lênine (1918) e Marx e Engels (2007). Constatou-se que ao difundir interpretações e enquadramentos ideológicos sobre política e educação, a imprensa atuou como agente de legitimação e naturalização de projetos burgueses, contribuindo para restringir a educação pública e reforçar sua instrumentalização como suporte à ordem social vigente. Essa estratégia resultou na restrição da educação brasileira e na propagação da educação como instrumento econômico, reforçada pela doutrina hegemônica do capital em prol da ordem burguesa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografias Autor

Marco Antonio de Oliveira Gomes, Universidade Estadual de Maringá

É professor associado da Universidade Estadual de Maringá (UEM), vinculado ao Departamento de Fundamentos da Educação e ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPE-UEM). Possui licenciatura em História pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1988) e graduação em Pedagogia pela Faculdade de Ciências e Letras Plínio Augusto do Amaral (1997). É mestre (2001), doutor (2008) e realizou pós-doutorado em História e Filosofia da Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Desenvolve pesquisas na área de História da Educação, com ênfase nas relações entre Estado, economia e educação, especialmente no contexto da ditadura civil-militar brasileira, além de estudos sobre imprensa e educação, intelectuais e políticas educacionais. É líder do Grupo de Pesquisa Fundamentos Históricos da Educação (UEM/CNPq) e integra grupos de pesquisa voltados à história da educação brasileira.        

Crislaine Aparecida Pita, Universidade Estadual de Maringa

É doutora em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá (PPE/UEM). Atua como professora no curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e na rede municipal de ensino de Maringá. Possui mestrado em Educação (2021) e graduação em Pedagogia (2019) pela mesma instituição. Integra o Grupo de Estudos e Pesquisas em Fundamentos Históricos da Educação (GEPFHE) e o Grupo de Estudos e Pesquisas História da Educação, Intelectuais e Instituições Escolares

Adriana Aparecida Rodrigues, Centro Universitário UniFatecie (UNIFATECIE)

É doutora em Educação (2022) e realizou pós-doutorado em Educação (2024). Possui graduação em Pedagogia (2011) e História (2015), além de especializações nas áreas de Educação Infantil, Educação Especial e metodologias de ensino. Atua como docente no Centro Universitário UniFatecie (UNIFATECIE), nas modalidades presencial e a distância. Integra o Grupo de Estudos e Pesquisas Trabalho e Educação na Sociabilidade do Capital (GEPTESC) e o Grupo de Pesquisa Fundamentos Históricos da Educação. Também atua no Comitê de Ética em Pesquisa da instituição e na Coordenação Geral dos Programas de Ensino, Pesquisa e Extensão.

Referências

Arquidiocese de São Paulo. (1985). Brasil, nunca mais. Petrópolis: Vozes.

Brasil. (1961, 20 dezembro). Lei nº 4.024. Fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Acedido em 02 de abril, 2025, de https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-353722-publicacaooriginal-1-pl.html

Brasil. (1968, 28 novembro). Lei nº 5.540. Fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média. Acedido em 02 de abril, 2025, de https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-5540-28-novembro-1968-359201-publicacaooriginal-1-pl.html

Brasil. (1969, 26 fevereiro). Decreto-Lei nº 477. Define infrações disciplinares em estabelecimentos de ensino. Acedido em 02 de abril, 2025, de https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1960-1969/decreto-lei-477-26-fevereiro-1969-367006-publicacaooriginal-1-pe.html

Brasil. (1971, 11 agosto). Lei nº 5.692. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus. Acedido em 02 de abril, 2023, de https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970-1979/lei-5692-11-agosto-1971-357752-publicacaooriginal-1-pl.html

Dreifuss, R. (1981). 1964: a conquista do Estado (ação política, poder e golpe de classe). Petrópolis: Vozes.

Favaro, N. A. L. G., Semzezem, P., & Marcolino, E. A. (2020). Ensino médio na ditadura (1964-1985): análise crítica de suas funções. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, 9(7), 1-21.

Folha de São Paulo. (1963, 20 junho). Uma ideologia ameaça o Brasil. O que é o comunismo? Folha de São Paulo, p. 1.

Folha de São Paulo. (1968, 14 dezembro). Editorial. Folha de São Paulo, p. 4.

Folha de São Paulo. (1968, 15 maio). Tarso Dutra defende cursos pagos na universidade. Folha de São Paulo, p. 16.

Folha de São Paulo. (1971, 21 novembro). Editorial. Folha de São Paulo, p. 6.

Folha de São Paulo. (1972, 18 novembro). Editorial. Folha de São Paulo, p. 6.

Germano, J. W. (2005). Estado militar e educação no Brasil (1964-1985) (4ª ed.). São Paulo: Cortez.

Gomes, M. A. O., Zanelato, Í., & Pita, C. (2021). Estado, capital e reforma da educação: a Lei 5.692/71. Revista Teias, 65, 382-395.

Gramsci, A. (1982). Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Gramsci, A. (2000). Cadernos do cárcere (Vol. 2). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Lênin, V. I. (2007). O Estado e a revolução: o ensino do marxismo sobre o Estado e o papel do proletariado na revolução. São Paulo: Centauro.

Marx, K., & Engels, F. (2007). A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo.

Motta, R. P. S. (2012). Em guarda contra o “perigo vermelho”: o anticomunismo no Brasil. São Paulo: Perspectiva/FAPESP.

Paulino, A. E. L. (2020). O impacto do “milagre econômico” sobre a classe trabalhadora segundo a imprensa alternativa. Revista Katálysis, 23(3), 562-571.

Penteado, J. (1971, 27 junho). Nova forma de dirigir a aprendizagem escolar. Folha de São Paulo.

Reis, J. (s.d.). A ciência de reformar o ensino. Folha de São Paulo, p. 69.

Schultz, T. W. (1973). O capital humano: investimentos em educação e pesquisa. Rio de Janeiro: Zahar.

Serbin, K. P. (2001). Diálogos na sombra: bispos e militares, tortura e justiça social na ditadura. São Paulo: Companhia das Letras.

Teles, E., Osmo, C., & Calazans, M. O. (Orgs.). (2023). Informe público: a responsabilidade de empresas por violações de direitos humanos durante a ditadura. São Paulo: CAAF/Unifesp.

Toledo, C. N. (2004). 1964: o golpe contra as reformas e a democracia. Revista Brasileira de História, 47, 13-28.

Downloads

Publicado

28-07-2026

Como Citar

Marco Antonio de Oliveira Gomes, Crislaine Aparecida Pita, & Adriana Aparecida Rodrigues. (2026). A educação nas páginas da folha de São Paulo: um jornal a serviço do capital (1964-1972). Da Investigação às Práticas: Estudos De Natureza Educacional, 16(1). https://doi.org/10.25757/invep.v16i1.493