Abertos para estabelecer uma relação de confiança: estudo sobre as representações dos pais portugueses acerca da Creche

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25757/invep.v8i1.133

Palavras-chave:

Creche, Pais, Relação pais-escola, Representações dos pais

Resumo

A investigação tem indicado que o envolvimento dos pais é um fator crítico para a eficácia das práticas em creche. No entanto, em Portugal, a participação dos pais no dia-a-dia das creches é, na maioria dos casos passiva. Embora sejam dadas informações e convites para a participação nas iniciativas realizadas na creche, os pais raramente são convidados a participar do planeamento ou a ter um papel ativo na dinamização das atividades na creche. Quisemos, então, investigar as opiniões dos pais sobre os objetivos, práticas, relação pais-educadores e o impacto da creche no desenvolvimento da criança. Desta forma, desenvolveu-se um questionário aplicado a 170 pais (80% de escolas particulares, 62% de primogénitos, 57% de meninas). Os nossos resultados indicam que os pais valorizam: relacionamentos afetivos, boas instalações, boas condições / espaços, materiais e práticas educativas adequadas. Adicionalmente, os pais consideram a creche como um ambiente educacional que promove o desenvolvimento da criança e, portanto, querem ter um relacionamento aberto e de confiança com os educadores. Os fatores como o estatuto da escola (privado versus público) e o género dos pais afetaram as suas opiniões. Os nossos resultados sugerem que os pais procuram ter um maior envolvimento na escola dos seus filhos e desejam uma comunicação mais aberta com os educadores. Estes resultados foram discutidos mais tarde com dois grupos de vinte educadores, em sessões de focus group independentes. Os educadores expressaram a sua surpresa com alguns dos resultados e afirmaram que no futuro vão criar mais oportunidades para envolver os pais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia Autor

Bárbara Tadeu, ISCTE

Educadora de infância, mestre em IP e doutoranda em Psicologia

Referências

Barros, S. A. (2007). Qualidade em contexto de creche: Ideias e práticas. Phd. Thesis: University of Porto.

Barros, S., & Aguiar, C. (2010). Assessing the quality of Portuguese childcare programs for toddlers. Early Childhood Research Quarterly, 25, 527-535.

Belsky, J., Vandell, D. L., Burchinal, M., Clarke-Stewart, K. A., McCartney, K., & Owen, M. T., (2007). Are There long-term Effects of Early Child Care? Child Development, 78, 2, 681-701.

Braungart-Rieker, J. M., Garwood, M. M., Powers, B. P., & Wang, X. (2001). Parental sensitivity, infant affect, and affect regulation: Predictors of later attachment. Child Development, 72, 1, 252-270.

Bronfenbrenner, U. (1979). The ecology of human development: Experiments by nature and design. Cambridge: Harvard University Press.

Burchinal, M. R., Roberts, J. E., Riggins, R., Zeisel, E. N. & Bryant, D., (2002). Relating Quality of Center-Based Child Care to Early Cognitive and Language Development Longitudinally. Child Development, 71, 2, 339-357.

CNE (2011). Recomendação – A Educação dos 0 aos 3 Anos. Conselho Nacional de Educação. Recomendação nº 3/2011. DR, 2.ª série, N.º 79, 21 de Abril.

Cox, M. J., Owen, M. T., Henderson, V. K., & Margand, N. A. (1992). Prediction of Infant-Father and Infant-Mother Attachment. Developmental Psychology, 28, 3, 474-483. doi: 10.1037//0012-1649.28.3.474.

Early, D. M., Maxwell, K. L., Burchinal, M., Alva, S. Bender, R. H., Bryant, D. Cai, K., Clifford, R. M. et al., (2007). Teachers Education, Classroom Quality, and young children’s academic skills: results from seven studies of preschool programs. Child Development, 78, 2, 558-580.

Endsley, R. C. & Minish, P. A. (1991) Parent–staff communication in day care centers during morning and afternoon transitions. Early Childhood Research Quarterly, 6, 119–135.

Levental, T., Brooks-Gunnn, J., McCorninck, M.C., & McCarton, M. (2000). Patterns of service use in preschool children: correlates, consequences and the role of early intervention. Child Development, 71, 3, 802-819.

Faria, A., Lopes-dos-Santos, P., & Beeghly, M. & Fuertes, M. (in press). The effects of Parental sensitivity and Involvement in caregiving on Mother-infant and Father-infant attachment in a Portuguese Sample. Journal of Family Psychology.

Fuertes, M. (2010). Se não pergunta como sabe? Dúvidas dos pais sobre a educação de infância. In 4.º Encontro de Investigação e Formação – CIED. Lisboa: ESELx/IPL.

Hohmann, M. & Weikart, D. (1995). Educating young children: Active Learning practices for preschool and child care programs.

Ypsilanti, MI: HighScope PressLamb, M. E., Frodi, A. M., Hwang, C. P., & Frodi, M. (1982). Varying degrees of paternal involvement in infant care: Attitudinal and behavioral correlates. In M. E. Lamb (Ed.), Nontraditional families. Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.

NICHD Early Child Care Research Network. (1996). Characteristics of infant child care: Factors contributing to positive caregiving. Early Childhood Research Quarterly, 11, 269-306.

NICHD Early Child Care Research Network (2000). The Relation of Child Care to Cognitive and Language Development. Child Development, 71, 958–978.

NICHD Early Child Care Research Network. (2001). Nonmaternal care and family factors in early development: An overview of the NICHD Study of Early Child Care. Applied Developmental Psychology, 22, 457–492.

NICHD Early Child Care Research Network (2005). Child care and child development: Results of the NICHD study of early child care and youth development. NY: Guildford Press.

NICHD Early Child Care Research Network (2007). Are there long-term effects of early child care? Child Development, 78, 2, 681-701.

Marques, T. (2010). A organização de serviços em Intervenção Precoce: Contributos de ajudantes familiares para a Intervenção Precoce. Tese de Doutoramento. Universidade do Porto: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.

Owen, M. T. Ware, A.M, & Barfoot, B. (2000). Caregiver-mother partnership behavior and te quality of caregiver-child and mother-child interactions. Early Childhood Research Quarterly, 15, 3, 413-428.

Peisner-Feinberg, E. S., Burchinal, M. R., Clifford, R. M., Culkin, M. L., Howes, C., Kagan, S. L., et al. (1999). The children of the cost, quality, & outcomes study go to school: Public report. Chapel Hill: University of North Carolina at Chapel Hill, FPG Child Development Center.

Peisner-Feinberg, E., Burchinal, M., Clifford, R., Culkin, M., Howes, C., Kagan, S. et al., (2001). The relation of pre-school child-care quality to children’s cognitive and social developmental trajectories through second grade. Child Development, 72, 1534-1553.

Pimentel, J.S., Carreira, M., Gandres, C., & Barros, A.R. (2012). Avaliação e promoção da qualidade dos cuidados prestados em creche familiar: primeiros resultados de um estudo de investigação/acção. Da Investigação às Práticas 2, 1, 68 - 93.

Sameroff, A. (2010). A Unified Theory of Development: A Dialectic Integration of Nature and Nurture. Child Development, 8, 6–22.

Sameroff ,A. & Fiese, B. (2000). Transactional regulation: the developmental ecology of early intervention. In J. Shonkoff & S. Meisels (eds). Handbook of early childhood intervention (pp 135–159). Cambridge University Press, Cambridge.

Pianta, R. C. & Stuhlman, M. W. (2004). Teacher-child relationships and children’s success in the first years of school. School Psychology Review, 33, 444-458.

Shonkoff, J., & Phillips (2000). From neurons to neighborhoods: The science of early childhood development. Washington, DC: National Academy Press.

Sousa, J. (2009) Caracterização das creches Portuguesas: a realidade e a necessidade. Master Thesis. ISEGI: Universidade Nova de Lisboa.

Tadeu, B. (2012). A qualidade das salas de berçário nos concelhos de Setúbal e de Palmela. Master thesis. Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Educação.

Tomlin, A. M., Sturm, L. & Koch, S. M. (2009). Observe, listen, wonder, and respond: A preliminary exploration of reflective function skills in early care providers. Infant Mental Health Journal, 30, 6, 634-647.

Tyler, D. O & Horner, S. D. (2008). Family-centered collaborative negotiation: A model for facilitating behavior change in primary care. Journal of the Academy of Nurse Practitioners, 20, 194-203.

Van IJzendoorn, M. H., Tavecchio, L., Stams, G., Verhoeven, M., & Reiling, E. (1998). Quality of center day care and attunement between parents and caregivers: Center day care in cross national perspective. The Journal of Genetic Psychology, 159, 437–454.

Vasconcelos, T. (2008). Educação de infância e promoção da coesão social. In A educação das Crianças dos 0 aos 12 anos. Lisboa: Conselho Nacional de Educação.

Publicado

27-03-2018

Como Citar

Assis, M., & Tadeu, B. (2018). Abertos para estabelecer uma relação de confiança: estudo sobre as representações dos pais portugueses acerca da Creche. Da Investigação às Práticas: Estudos De Natureza Educacional, 8(1), 79–93. https://doi.org/10.25757/invep.v8i1.133

Edição

Secção

Artigos