A Inclusão na Perspectiva de Mães de Crianças e Jovens com Necessidades Especiais

Francisco Vaz da Silva, Catarina Milagaia

Resumo


Neste estudo foram entrevistadas seis mães de crianças ou jovens com necessidades especiais seguindo a técnica de focus group com o objectivo de: i) Conhecer as suas perspectivas sobre o conceito e processos de inclusão, ii) identificar os indicadores de sucesso que mais valorizam e iii) identificar factores que consideram facilitadores de inclusão e os que consideram barreiras.

Resultados mostram que este pequeno grupo de mães tem uma posição muito favorável à inclusão e consideram-na como uma questão de Direitos Humanos. Na sua perspectiva as experiências de inclusão de sucesso, envolvendo a participação em actividades com outros e o sentido da pertença, estão associados a sentimentos de satisfação vividos por todos os envolvidos (crianças ou jovens, profissionais e os pais), fazendo salientar a dimensão emocional que nos parece ser específica de pais. Apontam como indicadores de sucesso as características acolhedoras do ambiente,  a participação em actividades em conjunto com outros, as atitudes das pessoas (profissionais, pais das outras crianças e as próprias crianças), bem como a satisfação e regozijo manifestado por todos os envolvidos. A heterogeneidade do grupo, a sensibilização e envolvimento da comunidade e a adequação das práticas educativas dos professores são identificadas como factores facilitadores da inclusão. Pelo contrário, a falta de respostas para a inclusão após a escolaridade, os preconceitos, baixas espectativas e práticas educativas desadequadas são consideradas barreiras. Mães fazem ainda referencia a dificuldades na cooperação e estabelecimento de verdadeiras parcerias entre famílias e professores como uma barreira.

Os resultados são confrontados com os de outras investigações na área e exploradas as contribuições para o aprofundamento da compreensão do conceito de inclusão.


Texto Completo:

PDF

Referências


AEDEE (Agencia Europeia para o Desenvolvimento da Educação Especial) (2005). Educação inclusiva e práticas de sala de aula nos 2º e 3º Ciclos do ensino básico. Relatório síntese.

Ainscow, M. (1997). Educação para todos: Torná-la uma realidade. M. Ainscow, G.Porter e M. Wang (Eds), Caminhos para Escolas Inclusivas Lisboa: IIE. 11-31

Bardin, A. (2009). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70.

Benard da Costa, A.M. (2006). A educação inclusiva dez anos após Salamanca: Reflexões sobre o caminho percorrido. D. Rodrigues (Ed.), Educação Inclusiva. Estamos a fazer progressos? Lisboa: FMH Publicações. 13-29

Baumgart, D., Brown, L., Pumpian, I., Nisbet, J., Ford, A., Sweet, M., Messina, R, & Schroeder, J. (1982). Principle of partial participation and individualized adaptations for severely handicapped students. TASH Journal, vol. 7, 17-27

Boer, A., Pijl, S.J., & Minnaert, A. (2010). Attitudes of parents towards inclusive education: A review of the literature. European Journal of Special Needs Education, 25, 2, 165-181. DOI: 10.1080/08856251003658694

Bogdan, R., & Bliken, S. (2013). Investigação qualitativa em educação. Uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora.

Booth, T., & Ainscow, M. (2002). Index for inclusion. Developning learning and participation in schools. Center for Studies in Inclusive Education.

Bryer, F., Grimbeek, P., Beamish, W., & Standley, A. (2004). How to use the Parental Attitudes to Inclusion scale as a teacher tool to improve parent-teacher communication. Issues in Educational Research, 14 (2), 105-120. Consultado em junho de 2016 em http://www.iier.org.au/iier14/bryer.html

Cintra, G.M.S., Rodrigues, S.D., & Ciusca, S.M. (2009). Inclusão escolar: Há coesão nas expectativas de pais e professores? Revista Psicopedagogia, 26 (79), 55-64.

Correia, L.M. (2013). Inclusão e necessidades educativas especiais – Um guia para educadores e professores. Porto: Porto Editora.

Duhaney, L.M., & Spalend, S.J. (2000). Parental perceptions of inclusive educational placements. Remedial and Special Education, vol. 21, nº 2, 121-128.

Elkins, J., Kraayenoord, C.E., & Jobling, A. (2003). Parent’s attitudes to inclusion of their children with special needs. Journal of Research in Special Educational Needs, vol. 3, nº 2, 122-129. DOI: 10.111/1471-3802.00005

ElZein, H.L. (2009). Attitudes towards inclusion of children with special needs in regular schools (A case study from parent’s perspective). Educational Research Review, vol. 4, 4, 164-172.

Ladeira, F., & Amaral, I. (1999). Alunos com multideficiência nas escolas do ensino regular. Lisboa: Ministério da Educação.

Leyser, Y., Kirk, (2004). Evaluating inclusion: Na examination of parente views and factors influencing their perspectives. International Journal of Disability, Development and Education, vol. 51, nº3, 271-285. DOI: 10.1080/1034912042000259233.

Katz, L. (1998). Cinco perspectivas sobre qualidade. DEB (Org.) Qualidade e Projecto na Educação Pré-Escolar Lisboa: Departamento da Educação Básica. 15-40

Marshall, M.N. (1996). The key informant technique. Family Practice, vol. 13, nº 1, 92-97

Palmer, D., Borthwick-Duffy, S., Widaman, K., & Best, S. ( 1998). Influences on parent perceptions of inclusive practices for their children with mental retardation. American Journal on Mental Retardation, 3, 272-287.

Palmer, D.S., Fuller, K., Arora, T., & Nelson, M. (2001). Taking sides: Parent views on inclusion for their children with severe disabilities. Exceptional Children, vol. 67, nº 4, 467-484.

Payne, G., & Payne, J. (2004). Key concepts in social research. Sage Pub. DOI: 10.4135/9781849209397

Pinto, N., & Morgado, J. (2012). Atitudes de pais e professores perante a inclusão. Actas do 1º Colóquio de Psicologia e Educação, ISPA. Consultado em Abril de 2015 de http:/repositório.ispa.pt

Rodrigues, D. (Org.) (2003). Perspectivas sobre inclusão. Da educação à sociedade. Porto: Porto Editora.

Rodrigues, D. (2014). A inclusão como direito humano emergente. Educação Inclusiva, vol. 5, nº1, p. 6-10.

Salend, S.J., & Duhaney, L.M. (2002). What do families have to say about inclusion? How to pay attention and get results. Teaching Exceptional Children, vol.35, nº 1, 62-66

Schwartz, I.S., Sandall, S.R., Odom, S.L., Horn, E., & Beckman, P.J. (2007). Reconheço-a quando a sinto: Em busca de uma definição comum de inclusão. S.L. Odom (Org.), Alargando a Roda: A inclisão de crianças com necessidades educativas especiais na educação pré-escolar. Porto: Porto Editora. 15-26

Seery, M.E., Davis, P.M., & Johnson, L.J. (2000). Seeing Eye-to-Eye. Are parents and professionals in agreement about the benefits of preschool inclusion? Remedial and Special Education, vol.21, nº 5, 268-278.

Skinner, D., Rodriguez, P., & Bayley, D. (1999). Narrating self and disability: Latino mother’s construction of identities vis-a-vis their child with special needs. Exceptional Children, vol.65, nº4, 481-495.

Soodak, L.C., & Erwin, E.J. (2000). Valued member or tolerated participant: Parents’ experiences in inclusive early childhood settings. JASH, vol.25,nº 1, 29-41.

Stanley, A., Grimbeek, P., Bryer, F., & Beamish, W. (2003). Comparing parents’ versus’ teachers’ attitudes to inclusion: When PATI meets TATI. B. Bartlet, F. Bryer, & D. Roebuk (Eds.) Reimagining practice – Researching change. Brisbane: School of Cognition, Language, and Special Education, Griffith University. 62-69

Swedeen, B.L. (2009). Signs of an inclusive school: A parent’s perspective on the meaning and value of authentic inclusion. Teaching Exceptional Children Plus, 5 (3) Consultado em Abril de 2016 de http://escholarship.bc.edu/education/tecplus/vol5/iss3/art1




DOI: http://dx.doi.org/10.25757/invep.v8i1.134

Apontadores

  • Não há apontadores.


Copyright (c) 2018 Da Investigação às Práticas: Estudos de Natureza Educacional

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.