A educação em ciências e a intervenção sociopolítica em questões socioambientais e sociocientíficas: uma experiência na formação inicial de professores e educadores

Helder Martins Costa

Resumo


Este artigo assenta essencialmente na importância, na formação inicial de professores e educadores, de uma intervenção sociopolítica em diferentes comunidades como estratégia fundamental para uma abordagem pedagógica construtiva do pensamento docente e discente. Assim, nesta perspetiva, apresenta-se os resultados obtidos na implementação do projeto “We act”, na Escola Superior de Educação Jean Piaget de Almada e na unidade curricular de Atelier e Didática das Ciências e Educação Ambiental. Para o efeito, realizou-se um estudo de natureza metodológica mista, de modo a compreender o impacto das atividades propostas pelos diferentes grupos de estudantes

Os resultados obtidos indiciam a necessidade e a urgência em mudarmos as nossas práticas e traçarmos novos caminhos que promovam a mudança metodológica e pedagógica, assente em estratégias diferenciadas, e um ensino centrado no estudante. Sugerem também que este envolvimento em atividades de ação sociopolítica, sobre questões socioambientais e sócio- científicas, contribuem para alterar comportamentos e ampliar os conceitos. Estes estudantes, futuros docentes, ganharam, assim, uma nova postura, assente na importância da ciência para o quotidiano, para a resolução de problemas das comunidades.

Texto Completo:

PDF HTML

Referências


Aikenhead, G. (2009). Educação científica para todos. Mangualde: Edições Pedago.

Alarcão, I. (2001). Professor-investigador: Que sentido? Que formação? In: Campos, B. P. (Ed.). Formação profissional de professores no ensino superior. v.1. (pp. 21-31). Porto: Porto Editora.

Apple, M. (2013). Can education change society?. New York; Routledge.

Bencze, L., & Alsop, S. (2014). Activist Science and technology Education, Cultural Studies of Science Education – vol. 9. Canada: Springer.

Bybee, R. W. (2002). Learning Science and the Science of Learning. Arlington: NSTApress.

Costa, H. (2015). A Relação família-escola Um olhar de ecologia humana entre o ensino público e o privado. 3ª edição. Santo Tirso: De Facto Editora

Dori, Y., TAL, R. & Tsaushu, M. (2002. Teaching biotechnology through case studies – Can we improve higher order thinking skills of nonscience majors? Science Education, Georgetown, USA, v. 87, n. 6, p. 767-793.

Gall, M. (1985). Discussion methods of teaching. In: Husen, T.; Postlethwaite, T. (Eds.). International encyclopedia of education. Oxford, England: Pergamon, v. 3., p. 1423-1427.

Galvão, C. & Reis, P. (2002). Um olhar sobre o conhecimento profissional dos professores: O estágio de Sofia. Revista de Educação, 11(2), 165 178.

Galvão, C., Reis, P., Freire, A. & Oliveira, T. (2010). Avaliação de Competências em Ciências – sugestões para professores dos ensinos básico e secundário. Porto: Asa

Goodnough, K. (2011). Taking action in science classrooms through collaborative action research – A guide for teachers. Rotterdam: Sense Publishers

Hilário, T. & Reis, P. (2009). Potencialidades e Limitações de Sessões de Discussão de Controvérsias Socio-científicas como contributos para a Literacia Científica. Revista de Estudos Universitários, v.35 (nº2), pp.167-183.

Hodson, D. (1998). Teaching and learning science: Towards a personalized approach. Buckingham: Open University Press.

Hodson, D. (1999). Going Beyond Cultural Pluralism: Science Education for Sociopolitical Action. Science Education – v.83, pp.775–796

Hodson, D. (2014). Activist Science and Technology Education, Cultural Studies of Science Education – vol.9, pp.67–78. New York: Springer.

Holbrook, J. (2010). Education through science as a motivational innovation for science education for all – Science Education International, 21(2), 80-91. (Tartu, Estonia: ICASE & University).

Kincheloe, J. (2006) Construtivismo Crítico. Magualde: Edições Pedago.

Kolstø, S. (2001). Scientific literacy for citizenship: Tools for dealing with the science dimension of controversial sociocientífica issues. Science Education, Georgetown, USA, v. 85, n. 3, p. 291-310.

Kolstø, S. (2006). Patterns in students’ argumentation confronted with a risk-focused socio-scientific issue. Journal of Research in Science Teaching, Maryland, USA, v. 14, p. 1689-1716.

Krueger, R. A. & Casey, M. A. (2009). Focus groups: A pratical guide for applied research (4th Ed.). Thousand Oaks, California: Sage.

Lazarowitz, R & Bloch, I. (2006). Awareness of societal issues among high school biology teachers teaching genetics. Journal of Science Education and Technology, Dordrecht, The Netherlands, v. 14, n. 5-6, p. 437-456.

Lewis, J & Leach, J. (2006). Discussion of socio-scientific issues: The role of science knowledge. International Journal of Science Education, London, UK, v. 11, p. 1267-1287.

Mockler, N. & Groudwater-Smith, S. (2015). Engaging with student voice in research, education and community. Beyond legitimation and guardianship. New York: Springer.

Mueller, M. & Tippins, D. (2015). Ecojustice citizen science and youth activism. Tensions for science educations. New York: Springer.

Nutbeam, D. (2008). The evolving concept of health literacy. Social Science & Medicine 67, 2072-2078.

Osborne, J., & Hennessy, S. (2006). Report 6: Literature Review in Science Education and the Role of ICT: Promise, Problems and Future Directions. Bristol: Futurelab.

Pereira, M. et al. (2007). Atividades Práticas em Ciências e Educação Ambiental. Lisboa: Editora Instituto Piaget.

Ratclffe, M. (1998) Discussing socio-scientific issues in science lessons- pupils’ actions and the teacher’s role. School Science Review, Hatfield, UK, v. 79, p. 55-59.

Reid, A., Jensen, B., Nikel, J. & Simovska, V. (2008). Participation and Learning. Perspectives on educations and tehe enviorenment, health and sustainability. Canada: Springer.

Reis, P. (2004) Controvérsias sócio-científicas: Discutir ou não discutir? Percursos de aprendizagem na disciplina de Ciências da Terra e da Vida. 2004. Tese (Doutoramento em Didáctica das Ciências) - Departamento de Educação, Faculdade de Ciências, Lisboa: Universidade de Lisboa.

Reis, P. (2006) Ciência e educação: que relação? Interacções, Santarém, Portugal, v. 3, p. 160-187

Reis, P. (2009). Ciência e Controvérsia. Revista de Estudos Universitários, v. 35 (nº2), pp. 9-15.

Reis, P. (2014). Promoting students’ collective socio-scientific activism: Teacher’s perspectives. In S. Alsop & L. Bencze (Eds.), Activism in science and technology education (pp. 547-574). London: Springer.

Reis P. (2014). Acción sócio-política sobre cuestiones sócio-científicas: reconstruyendo la formación docente y el currículo. Uni-Pluri/versidad, 14(2), 16-26. Disponível em: http://aprendeenlinea.udea.edu.co/revistas/index.php/unip

Roldão, M. (2005). Para um currículo do pensar e do agir: as competências enquanto referencial de ensino e aprendizagem, (pp. 9-20). En direct de l’APPF.

Sadler, T. & Fowler, S. (2006). A threshold model of content knowledge transfer for socioscientific argumentation. Science Education, Georgetown, USA, v. 6, 986-1003.

Sadler,T. & Zeidler, D. (2002). The morality of socioscientific issues: construal and resolution of genetic engineering dilemmas. Science Education, Georgetown, USA, v. 88, n. 1, p. 4-27.

Sadler,T. & Zeidler, D. (2005). Patterns of informal reasoning in the context of socioscientific decision making. Journal of Research in Science Teaching, Maryland, USA, v. 42, p. 112-138.

Thruler, M. (1994). A escola e a mudança. Levar os professores a uma construção activa da mudança. Para uma nova concepção da gestão da inovação. Lisboa: Escolar editora.




DOI: http://dx.doi.org/10.25757/invep.v7i2.129

Apontadores

  • Não há apontadores.


Copyright (c) 2017 Da Investigação às Práticas: Estudos de Natureza Educacional

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.